CONVIVER - A ARTE DE ADMINISTRAR COMFLITOS
- Marilu Martinelli
- 19 de out. de 2015
- 2 min de leitura

Conviver é um grande desafio para nosso ego personalidade. Isso porque conviver implica viver com, e isso requer basicamente um exercício de paciência, respeito e renuncia. Para casais, por exemplo, nem sempre é fácil renunciar a liberdade de ir e vir sem dar satisfações, de decidir e fazer o que bem quiser, e a paciência de prestar atenção no outro, perceber o que o agrada ou desagrada, e acatar opiniões e pontos de vista diferentes dos nossos, e aprender a dialogar. O dialogo acontece entre visões e conceitos opostos quanto compreendemos que a inflexibilidade e o “por que sim”, inibem o surgimento de um acordo.
Para o nosso ego é muito difícil propor ao outro a discussão de algo que pra nós já está decidido, e submeter-se a escutar as duvidas ou recusas do companheiro (a), e argumentar amorosamente, nós queremos ter razão e pronto. Outra zona de conflito se instala com certa facilidade quando o problema do outro se apresenta como prioridade circunstancial. Principalmente quando o que mais queríamos no momento, era falar sobre o nosso problema. Conflitos sempre nascem da incompatibilidade de valores, visão de mundo ou choque de interesses. Certamente, os conflitos são inevitáveis, mas não precisam ser violentos.
Podemos administra-los, se encararmos uma situação conflituosa não como uma ameaça, nem como uma arena onde entramos para ganhar ou perder. Um boa maneira de evitar que o conflito vire confronto, é respirar fundo e esperar que o impulso, o calor do antagonismo se abrande. A resolução de desavenças exige lucidez, paciência e imaginação, para encontrar o ponto de encontro. O conflito deve ser visto como uma oportunidade de descobrir algo novo, de encontrar soluções de consenso, e uma chance de melhorar a relação, seja ela de que tipo for. Para tal é preciso saber escolher a abordagem mais adequada.
O respeito é condição indispensável para que o dialogo surja naturalmente, e a meta de ambos seja a conciliação. Na verdade nós seres humanos somos escultores uns dos outros e o conflito é o buril e o cinzel, instrumentos que esculpem a pedra bruta do nosso ego. Pra terminar, quero lembrar que renunciar não significa sempre sofrimento, aprender a abrir mão, é um aprendizado, uma lição de amor. Quando renunciamos a alguma coisa para beneficiar, ou fazer quem amamos feliz, sentimos uma alegria mansa, uma ternura sutil invadir nosso coração.
Nessas ocasiões se estivermos atentos as nossas emoções e escolhas perceberemos que a renuncia não têm o peso da privação, nem carrega consigo a sensação de perda. Abrir mão em favor de quem amamos demonstra o quanto de carinho, respeito e consideração sentimos por essa pessoa. Nessas ocasiões a vida nos convida para subir mais um degrau em direção à um estágio mais alto de consciência. E assim construímos a ponte que nos conduz do “eu” ao “nós”.
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MARILU MARTINELLI - É colaboradora do Instituto Seva. É Jornalista.Escritora. Professora de Mitologia Universal. Filosofia Oriental e Ética das Religiões. Consultora para Formação de Educadores e Gestores em Valores Humanos. Professora convidada da Unipaz SP e PUC SP. Ministra workshops sobre Desenvolvimento Humano.

































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